Observando o desenrolar político no Brasil, a experiência de participação democrática do povo nas decisões dos assuntos referentes à sua cidade, estado ou país é ainda muito limitada.

Vive-se ainda numa espécie de democracia ou participação formal, onde muitas pessoas sentem-se participantes apenas em época de eleições, trabalhando nas campanhas políticas, sendo candidatos ou apenas quando vão votar.

A maioria da população não tem ainda plena consciência de que é importante a sua participação, sua opinião, seu interesse no desenvolvimento dos locais onde vive e trabalha. Uma das causas dessa pouca participação e a estrutura centralizadora das instituições governamentais que estrangulam a ação popular, embora haja experiências incentivando a presença das comunidades, nos diversos conselhos municipais ou quanto às discussões dos orçamentos e planejamentos das cidades. Mas onde na prática, ainda predominam as decisões e interesses da administração ou das grandes corporações empresariais. Nem sempre nessas reuniões de planejamento e orçamento participativo, a opinião da população é a que prevalece e na organização da ocupação do espaço da cidade em muitos casos a população não é consultada ou ouvida.

Sinaliza-se uma mudança, impulsionada pelas novas tecnologias, mas que ainda é muito tímida porque o acesso à mesma ainda está restrito a um pequeno grupo de pessoas.

Outra situação é em relação aos partidos políticos, que se organizam visando atrair a população para seus programas, mas tendo como interesse apenas se apoderar do poder. Isso pode ser notado em época de eleição, onde de uma hora pra outra aparecem dezenas de siglas partidárias com seus candidatos e suas promessas fazendo campanhas na cidade buscando conquistar a confiança dos cidadãos.

Há ainda uma visão por parte de muitas pessoas de que apenas pode se intervir no poder local ou na dinamização de ações na comunidade se estiver filiado a algum partido político. A maioria das pessoas permanece acanhada quanto à importância de sua participação em movimentos ou associações. A mudança de mentalidade de que não há necessidade de estar filiado ou ser simpatizante de algum partido para participar de determinados movimentos ou associações pode aos poucos inserir mais pessoas nesse processoe alavancar o crescimento da democracia e participação popular na cidade e no país.

Outra questão séria e que depende de uma reforma política é a questão da escolha dos candidatos que se inserem nas siglas partidárias. Não há uma participação efetiva da sociedade na escolha das pessoas que serão candidatas aos cargos executivos e legislativos por determinada sigla partidária. Alguns candidatos, embora falem em nome de comunidades, aparecem apenas em época de eleição, alguns indicados por eles mesmos ou suas famílias, outros por grupos e seus interesses. Poucos são os candidatos que foram indicados por grupos ou associações comunitárias ou que já desenvolvem alguma atividade junto à população. Não tendo uma atuação junto à comunidade estas pessoas quando eleitas acabam prejudicando, com intervenções inadequadas o espaço ocupado por essa comunidade, sem que a mesma tenha sido comunicada sobre o que iria acontecer, ou ouvida em suas reclamações quanto aos problemas advindos dessas intervenções inadequadas.

Na verdade o que precisa é de investimentos em alfabetização política. O que é um desafio na formação das gerações futuras. Não se pode destruir o que está em funcionamento agora, pode se, sim, encontrar formas criativas de fazer as pessoas pensarem sobre como essa estrutura política atual afeta suas vidas e buscar juntos novos modelos de organizar e gerenciar uma cidade, fazendo disso um objetivo coletivo e diário e não apenas esporádico em época de eleição.