Caminhando pela cidade me deparei a observar os lugares destinados à alimentação. Percebi que nos últimos anos, em Pinhais, aumentou consideravelmente o número de espaços que servem refeições. Espaços tais como: restaurantes, lanchonetes, pizzarias, barzinhos, barraquinhas de petiscos diversos, etc.. Tomei até a iniciativa de a cada semana, procurar um estabelecimento diferente para fazer uma das minhas refeições. É uma forma de conhecer e valorizar o que a cidade de Pinhais, que já está parecendo um gigantesco shopping ao ar livre, nos proporciona.”

Todos os dias milhares de pessoas dirigem-se a determinados ambientes para satisfazer uma necessidade e que também é um prazer – alimentar-se. É um ritual que movimenta centenas e até milhares de estabelecimentos e profissionais ligados à alimentação e que tem como objetivo atender esse item básico importante à nossa sobrevivência. Quanto mais uma região se desenvolve e aumenta a concentração de pessoas, mais se fazem necessários espaços destinados a fornecer alimentação que é a energia que move o ser humano.

Refletindo sobre o ritual da alimentação, observei que costumamos ainda fazer a maior parte de nossas refeições em casa, embora o momento de vida agitada pela qual passamos, tem dias que nos alimentamos sem pensar no que estamos consumindo ou o modo como fazemos nossas refeições.

Tenho gravado em minha memória, o respeito que devemos ter pelos alimentos que consumimos e pelo respeito aos momentos das refeições. Hoje, neste mundo de tudo rápido, quantas vezes apenas engolimos o que colocamos em nossa boca. Nem nos damos ao trabalho de mastigar direito, sentir o sabor e a textura do que comemos. Enfiamos “goela abaixo” e o estômago que se vire. E assim pela boca, vamos nos consumindo, pois muitas vezes nem percebemos as consequências de uma má alimentação.

Hoje não vemos o alimento sendo produzido. Quase tudo vem embalado, limpo, pré-cozido, temperado…. Muitos nem preparam os alimentos, compram pronto e consomem mecanicamente. Alimentar-se deixou de ser um ritual e passou a ser apenas um momento de consumo e busca de satisfação, muitas vezes emocional.

Sentar-se diariamente à mesa em todas as refeições não é mais possível, pois em várias famílias ou grupos de pessoas, seus membros têm compromissos em horários diversos e locais diferentes. Um grande número de pessoas faz suas refeições sozinhas, solitárias… Consomem muitas vezes além do necessário e não se satisfazem.

Para vivermos com saúde, quanto mais simples e variado for o alimento, mais nutritivo ele será. Mas as gôndolas dos supermercados, as vitrines das lanchonetes e restaurantes, enchem nossos olhos de cores e luzes, nossas narinas de cheiros artificiais e quantas vezes lá vamos nós nos empanturrar de vazio, de ilusão e continuamos com fome ou ficamos doentes e enchemos nosso estômago de remédios, ou até ocupamos leitos de hospitais, pois esquecemos o mais importante que é alimentarmo-nos com sabedoria, vendo o alimento como algo sagrado e que os momentos das refeições devem constituir-se de espaços de encontro, prazer e alegria.

Embora seja fácil, prático e rápido conseguirem-se alimentos prontos, vamos tentar resgatar o hábito de comer mais devagar, de degustar cada bocado, de sentir o cheiro, e a textura daquilo que colocamos em nossa boca, não importa se fazemos nossas refeições em casa, em restaurantes ou lanchonetes. Dedicar também um tempo de pelo menos uma vez ao dia preparar a sua própria refeição e deixar de consumir o que já vem pronto.   BOM APETITE.