Ainda não apareceu um esporte que despertasse tanta atração e atenção como o futebol aqui no Brasil. Para qualquer parte que se vá do território brasileiro, encontra-se crianças e adultos com bola aos pés, nas praças, na grama, na poeira, na lama…

Um grupo de meninos e agora também meninas, tendo uma bola ao seu alcance, logo organizam um joguinho, com demarcações ou sem elas e se espraiam em correr e a rolar e chutar uma bola, que pode ser de qualquer tamanho ou material. Uma demarcação nunca falta, e são as que proporcionam a alegria do jogo, são as traves de madeira ou espaços demarcados no chão com diferentes materiais, tais como pedras, tijolos, chinelos, bolsas, etc., e é por onde a bola ao passar, se transforma em um grito de gol que conduz a sorrisos espontâneos, abraços e pulos de alegria por quem chutou a bola e conseguiu tal intento.

Mesmo com as cidades que com o seu desenvolvimento vão engolindo os espaços livres, esse esporte de várzea vai sobrevivendo, se arranjando em meio aos edifícios, ou se afastando para a periferia.

Recebe o nome de futebol de várzea, porque surgiu em São Paulo às margens do rio Tietê em campos de várzea, que são locais onde o rio transborda quando no período das cheias.

O futebol de várzea é o futebol não profissional, onde os times se formam geralmente com atletas das próprias comunidades e sozinhos ou com ajuda do poder público ou patrocínios privados em algumas cidades, vão organizando seus campeonatos que são disputados em campos ou pequenos estádios localizados nas comunidades. As disputas geralmente são acirradas e movimentam os finais de semana nos bairros das grandes cidades e nas cidades menores toda a região se movimenta em torno deste esporte que cativa e atrai tantas pessoas.

O futebol de várzea ou amador é um ponto de encontro de muitas comunidades, onde além do futebol, outros assuntos acabam sendo comentados e discutidos, tais como os problemas da comunidade, assuntos relacionados à política, ao trabalho, amizades se fortalecem, amores acontecem e também rivalidades se manifestam e se exaltam.  Mas não há nada que um jogo bem jogado, um gol, uma jogada bonita, diferente não possa desviar a atenção e levar a comentários e conversas por horas sobre o feito e estampar o orgulho de quem a proporcionou.

Mesmo quem não é ligado ao esporte de forma efetiva, quando acontecem os campeonatos de futebol amador ou de várzea nas cidades em que moramos, não tem como ficarmos sem ouvir comentários sobre o que está acontecendo ou aconteceu em determinado jogo. Ao aproximar-se o fim de semana, que é quando acontecem os jogos, ouve-se as expectativas, os preparativos para a disputa, as especulações sobre o tempo, o local do jogo, etc. No início da semana, a conversa gira em torno do resultado, da performance das equipes, de determinado jogador ou juiz da partida.

O futebol brasileiro destacou-se mundialmente, por ser jogado nos campos oficiais como se fosse jogado na várzea, onde a garra, a ginga, a alegria pura e simples de jogar e fazer um bom espetáculo prevalecia. Com o passar do tempo foi se impregnando de profissionalismo mascarado pelos cartolas, que na ganância de obterem cada vez mais lucros, fizeram do futebol uma mercadoria, onde apenas alguns atletas se destacam recebendo altos salários como se fossem os salvadores dos clubes. Perdeu a graça, e a garra, a qual resiste nos campinhos e estádios de várzea por esse Brasil afora.

A todos os atletas amadores, meninos e meninas, homens e mulheres deste esporte, que parece nascer com os brasileiros, obrigado pela alegria, pelo encontro, pelo espetáculo que vocês proporcionam às comunidades de nossas grandes e pequenas cidades.

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