É um ponto complexo e o será por muito tempo ainda a questão de integrar, preservar e desenvolver os espaços naturais e os construídos pelo ser humano, como peças fundamentais para que uma cidade cresça em harmonia, envolvendo os seus objetos ou atores, ou seja a qualidade de vida da população e o desenvolvimento estrutural, material, tecnológico.

As preferências que levam uma pessoa ou família a querer morar ou trabalhar em determinada cidade são as mais diversas e o que cativa a muitos é a dinâmica que cada cidade apresenta, aliada à preservação e possibilidade de se fazer uso de espaços verdes e que contemplem vegetação, água e até animais.

O ser humano tornou- se urbano, mas há ainda tem uma conectividade com o natural e que para muitos se apresenta de uma forma muito intensa e que é saciada nas cidades visitando, estando em contato, mesmo que por alguns instantes esses pequenos “Templos Verdes”, que são os bosques, as praças, os recantos que muitas cidades preservam ou constroem para uso público.

Mesmo com a grande pressão que as cidades vem sofrendo para que todo o seu solo seja ocupado por edificações, asfalto, calçadas, percebe-se que cada vez mais as pessoas estão compreendendo a necessidade de se manter esses pequenos paraísos, mesmo que muitos deles sejam artificiais, ou seja, são ecossistemas organizados, construídos em meio ao cinza do cimento, utilizando tecnologia para regular o fluxo de água, cachoeiras e luzes artificiais e plantas onde muitas delas não são nativas da região em questão.

Alguns espaços nunca que poderiam ser ocupados tão intensamente como vemos que vem ocorrendo, pois suas áreas naturais são fundamentais para a preservação de mananciais que oferecem água a milhares de habitantes e indústrias da região. Pinhais é uma delas, pois seu território engloba reservas de áreas verdes que guardam os mananciais de água potável mas que estão sendo ocupadas por concreto e asfalto.

Durante muitos anos, parece que se ignorou essa necessidade de organizar e manter espaços verdes na cidade de Pinhais. Atualmente percebe-se um esforço do poder público nesse sentido, mas a pressão por parte das empreiteiras e grandes construtoras para que as áreas que ainda restam sejam disponibilizadas para edificações é muito forte.

Mesmo a maior parte da população não tendo conhecimento dessa “briga” que acontece envolvendo interesses públicos e privados, pode se dizer que ela esta tentando segurar o jogo ao ter o poder público disponibilizado na área central da cidade um pequeno bosque e dado uma atenção especial no cuidado com canteiros e praças. Também se observa que há outras áreas que estão sendo objeto de estudo para possível organização e disponibilização para o uso da populaçãocomo espaços de contato com a natureza e locais de lazer.

Mas ficam algumas perguntas: Até quando o poder público agüentara o poder das empreiteiras e grandes construtoras e imobiliárias que estão de olho na região de Pinhais em busca de lucro fácil sem se importar com o meio ambiente e a qualidade de vida da população? De que forma cada um de nós pode colaborar para que áreas verdes naturais sejam preservadas e o desenvolvimento da cidade seja harmonioso com esses ambientes ?

Como disse Siddartha “ o que importa não é a sensação pessoal de usufruir o prazer de estar junto à natureza, mas o compromisso de zelar, em todas as instâncias possíveis, para a conservação da biodiversidade.”

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