Todos os dias, dezenas de pessoas inocentes, no auge de suas vidas, em plena fase produtiva, são ceifadas do seio de suas famílias, amigos e sociedade, por conta desta guerra, que parece que ninguém vê e poucos se importam para que diminua ou acabe: a guerra gratuita e sem sentido no trânsito.

São alarmantes as estatísticas de acidentes e mortes nas cidades e nas rodovias brasileiras.

Dados do ministério das cidades e do ministério da saúde revelam que os acidentes de trânsito são uns dos maiores problemas de saúde pública do país. Todos os dias, chegam aos hospitais públicos e privados, como se fossem feridos em combate, dezenas e até centenas de pessoas, que acabam nos leitos hospitalares por vários dias e até meses para se recuperarem dos ferimentos e sequelas dos acidentes. Constituindo-se também este drama, como um dos motivos para a falta de leitos para o atendimento a outras doenças.

Até agora, nenhuma campanha de conscientização, tem sido capaz de frear a dinâmica crescente das estatísticas desta guerra. Parece que poucas são as pessoas que realmente esforçam-se em seguir todas as regras para um trânsito mais seguro e evitar acidentes. A socióloga Alessandra Olivato, em uma dissertação sobre o trânsito de São Paulo, coloca, após ouvir respostas de várias entrevistas, que muitos motoristas veem o pedestre como um obstáculo, que a legislação de trânsito é injusta e que muitos dos que cumprem a lei e evitam acidentes, fazem-no como resultado de uma boa educação familiar e de princípios morais. Constata-se também na sociedade brasileira, que a lógica do particular, do privado e das relações pessoais se sobrepõe às normas que regem o espaço público.

Uma pesquisa coordenada pela professora Iara PicchioniThielen, da Universidade Federal do Paraná, reforçam o diagnóstico ao estudar o trânsito de Curitiba, onde os motoristas entrevistados veem a ação de dirigir apenas como um ato onde cada um tem sua receita própria, no qual o comportamento no trânsito, acaba se transformando num fenômeno individual, pessoal, privado e não numa articulação entre os diversos fatores envolvidos no trânsito.

O trânsito é um problema complexo e todos deveriam estar atentos a essa situação e buscar soluções, não pensando no individual, mas no coletivo. O carro continua ainda sendo visto por muitos, como sinal de status e independência no seu ir e vir cotidiano. A publicidade e as montadoras de automóveis reforçam essa ideia em suas propagandas e o governo estimula a compra de carros e o transporte particular em detrimento do transporte público.

No Brasil todo, nas grandes ou pequenas cidades, nas boas ou nas rodovias mal conservadas, a guerra camuflada continua e centenas de famílias, todos os dias choram e precisam ser consoladas porque seus entes queridos foram mortos ou estão feridos nos hospitais ou ficam incapacitados, mutilados por conta das atrocidades até agora sem controle no ambiente chamado trânsito.

Para refletir:

  • Você tem conhecimento, ou já procurou se informar sobre as estatísticas dessa guerra? Qual o número de acidentes, de mortos, feridos, mutilados? Despesas de saúde, danos materiais decorrentes dessa guerra em sua cidade ou região?
  • Analisando o seu comportamento como motorista, como você se vê e age quando está dirigindo?
  • Se você é pedestre, ciclista, motoqueiro, como se vê e age quando está no trânsito?
  • Na sua opinião, o que poderia ser feito para diminuir ou acabar com essa guerra camuflada?
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