Ao circular pela cidade, abre-se um leque de reflexões sobre a mesma e sobre as pessoas que nela habitam. Começa-se a perceber coisas agradáveis e desagradáveis e pode-se optar por elogiar ou criticar. Essas opções dependem também da situação/momento em que a pessoa se encontra, seja no aspecto físico, emocional, social ou econômico. Costumo fazer esse exercício de reflexão porque me vejo parte da cidade e a cidade como parte de mim.

Aqui em Pinhais, vivemos numa cidade pela qual passam três rios e um quarto que nasce e deságua no território do município. Rios que mereceriam todo respeito, mas quantas vezes passamos por eles sem os notarmos, ou quando notamos é nos períodos de cheia, quando eles se espraiam para ocupar os lugares que sempre foram deles e daí as críticas se sucedem contra eles e contra o poder público.  Quantas vezes paramos para contemplar os rios? Nem queremos fazer isso, pois um mal estar se instala ao vermos seus leitos e margens cheios de lixo, mal cheiro…. Embora estejam sendo feitas ações como dragagem, limpeza, plantio de árvores, os problemas ainda continuam aparecendo.

Talvez se mais pessoas fizessem esse exercício de reflexão sobre a cidade e seus elementos, esse momento poderia ser o de pensar e gerar energias positivas de que as coisas podem ser diferentes e quem sabe individualmente ou em grupos, usando a criatividade, planejar e propor aos administradores da cidade, projetos que resultem no resgate da importância dos rios para a cidade, para as pessoas e para o meio ambiente como um todo.

Imaginar que as margens dos rios poderiam ser espaços de encontro da população, com locais para caminhadas, ciclovias, hortas, jardins, praças com equipamentos para lazer, cultura, esporte….E porque não suas águas serem navegáveis com pequenos barcos, locais para pesca, lazer…..

Que orgulho seria dizer para alguém: vem visitar minha cidade, ela é pequena mas tem quatro rios – o Atuba, o Palmital, o do Meio e o Irai – suas águas são limpas, cheias de vida, suas margens cercadas de bosques e jardins, as pessoas podem passear por elas, fazer lindas fotos, descansar, se exercitar, aprender….

Mas esse sonho precisa ser sonhado por milhares de pessoas e abraçado por administradores de todas as cidades pelas quais passam os rios porque Pinhais e as demais cidades localizam-se numa região metropolitana que encontra-se se num acelerado processo de ocupação industrial e adensamento populacional.

Os rios fazem parte da história da humanidade, pois foi às margens dos rios que o ser humano sempre viveu e depois com o tempo construiu cidades ao seu redor. Os rios foram e ainda são em algumas regiões um elo importante para o desenvolvimento das sociedades, fornecendo água, alimentos, transporte e comunicação.

Mas o estado atual de nossos rios incomoda e a ocupação desordenada de suas margens provoca incertezas ao comportamento dos mesmos no futuro. O ser humano, mais racional que emocional, parece não perceber a beleza e a força da águas que correm pelos canais naturais e os rios vão fazendo o seu caminho sem se importar com a ingratidão.

No fundo, as pessoas que habitam os centros urbanos, estão se perdendo no concreto, no plástico e nas luzes da cidade e com o coração duro, a alma impermeável, não conseguem olhar os rios nem perceber ou sentir a sua dinâmica. Insensíveis e absortos no consumismo, os habitantes da cidade seguem seus dias ignorando as águas que correm e por isso não percebendo também,  que a vida flui e que tudo é interligado.

Pinhais embora uma cidade pequena, está conurbada com a capital e outras cidades da Região Metropolitana. Pensar sobre a cidade deve ser um exercício de todos nós cidadãos para que a mesma seja mais humana e os problemas relacionados a ela resolvidos com urgência.

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