Várias são as cidades dos estados do sul do Brasil que tem nomes que remetem à árvore símbolo da região, o Pinheiro ou Araucária angustifólia. Entre as cidades da região metropolitana temos Curitiba (na língua indígena quer dizer muito pinhão), São José dos Pinhais, Araucária e Pinhais.

É uma árvore alta, que pode chegar até 50 metros de altura, de tronco redondo e firme que pode ter até 3 metros de diâmetro. É fácil de ser identificada em uma paisagem por sua copa em forma de taça. Botanicamente ela é uma planta dióica, porque existem pinheiros “machos” e pinheiros “fêmeas”. Então para que exista o pinhão é preciso que o pólem seja transportado pelo vento, de uma árvore masculina para as inflorescências de uma árvore feminina.  As pinhas que podem chegar a pesar 5Kg é onde ficam as sementes, os pinhões, são redondas e quando amadurecem estouram e espalham os pinhões pelo chão, que são daí coletados por seres humanos e animais, que deles se alimentam e servem de dispersores desta árvore no ambiente natural.

Para garantir que o amadurecimento da semente ocorra por completo, a sua coleta para comercialização só é permitida a partir do mês de maio.

Não há festa junina que não tenha pinhão. Ele é um dos itens sempre presente nessa tradição cultural no sul do Brasil, onde é consumido sapecado nas grimpas, na chapa de fogões a lenha ou cozido. É um alimento exótico, nutritivo e energético. Ele também é utilizado na culinária em diferentes pratos como farofas, sopas, pães e bolos.

Durante o período de ocupação do território brasileiro, essa árvore símbolo quase desapareceu por completo. Sua madeira foi usada em larga escala para a construção de casas, seus galhos, cascas e nós foram usados para lenha nas indústrias e uso doméstico.

Atualmente a Araucária ou Pinheiro do Paraná é uma planta que está seriamente ameaçada de extinção e por isso é uma árvore protegida por lei, mas assim mesmo, em algumas propriedades, com o objetivo de abrir espaços para grandes plantações ou construções, elas são ignoradas e cortadas. As multas não assustam os especuladores e invasores do espaço natural.

Restam em ambientes naturais não mais que 2% de florestas de araucárias.

Alguns paisagistas, arquitetos, engenheiros e pessoas conscientes da necessidade de preservar as espécies ameaçadas, procuram desenvolver seus projetos de construção e ocupação de áreas, procurando proteger e integrar as araucárias e outras plantas existentes no ambiente a ser transformado, respeitando assim as árvores que já estão no lugar há muitos anos. É também uma forma de provocar e possibilitar a interação das pessoas com as árvores e sua história.

No período de maio e junho é uma época em que mais nos lembramos do pinheiro, devido aos pinhões que ficam expostos para venda à beira das rodovias, em festas comunitárias, no comércio, ou quando passeamos em alguma praça ou bosque e encontrando pinhões pelo chão resolvemos olhar para o alto e apreciar a beleza e a imponência desta bela árvore.

Procuremos preservar essa árvore para que no futuro as gerações que nos substituírem possam também apreciá-las na natureza e não apenas em fotos ou vídeos.

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